sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Quem se lembra do WikiLeaks?

Fim de ano, muita festa, muita retrospectiva, muitos planos, mas a bomba atômica gerada pela divulgação dos documentos vazados dos EUA pelo WikiLeaks, acabaram caindo no esquecimento do povo brasileiro. Confesso que por estar atarefado pelos compromissos acadêmicos acabei impedido de verificar pormenores destes documentos que, ao todo, somam 250 mil, aproximadamente. Vale a pena ler os textos, apesar de estarem em inglês, pois contam como funciona os bastidores da política internacional. Vou relatar o que eu li para que vocês possam ter uma mínima idéia da gravidade do que está publicado:

Primeiro eu me surpreendi com a intimidade do ex-ministro da casa civil, José Dirceu, embaixadores e "funcionários" do governo americano. Frequentemente aconteceram encontros até mesmo em residências particulares. Dentre os assuntos tratados fiquei intrigado com suas declarações ao governo americano, em que ressalta o desejo de reestabelecer o diálogo sobre a ALCA, lançamentos comerciais de foguetes na base de Alcântara e por fim a criação de um acordo bilateral de uma agência de segurança da informação e transferência de tecnologia militar, além de acordos comerciais para compra de caças. Os documentos falam também do interesse dos EUA em isolar o presidente Hugo Chávez na América Latina. Inclusive há a constatação de compra de milhares de fusis AK-47 para a formação de milícias paramilitares dentro da Venezuela, ordenada por Hugo Chávez. Ultrapassando os limites das relações diplomáticas, uma das mensagens publicadas contém dados biométricos, impressões digitais, fotografias, escanerização de íris, dados do ADN e "outras singularidades" da então ministra da Educação, Blanca Ovelar, do ex-vice-presidente Luis Alberto Castiglioni, do ex-general Lino Oviedo e de Fernando Lugo, atual presidente. Além disso, os documentos ressaltam a  constante preocupação dos EUA, com a ameaça islâmica ao monitorar encontros de mulçumanos e visitas de autoridades islâmicas à São Paulo. Em particular, a tríplice fronteira brasileira merece atenção especial a ponto de ter a catalogação de mesquitas e locais de reunião de possíveis terroristas. Há tempos atrás, participando de encontros de movimentos sociais ouvia relatos de presença de 500 militares americanos na fronteira. Achava exagerada essa estória, mas agora com a confirmação dos documentos da turma do Assange, eu tenho lá minhas dúvidas.

Aí eu me pergunto: porque o povo está tão inerte e nem comenta o que há nestes documentos? Resposta: o ano novo vem aí, a esperança estará renovada. Afinal, política para o povão é ser obrigado a ir votar no dia da eleição e depois sentar no sofá da sala para dizer que "político é tudo vagabundo e corrupto". Agir assim é mais fácil do que se indignar e correr atrás. Falta cultura política ao Brasileiro. Isso só muda, quando tivermos educação de qualidade nas escolas do Ensino Básico. Mas essa é outra estória.

Conclusão: As embaixadas dos Estados Unidos na América Latina funcionam como centros de vigilância, atendendo ordens do Departamento de Estado Americano.

Ainda em tempo, deixo o link do WikiLeaks para quem quiser acessar e olhar por cima do muro. Você provavelmente terá dificuldades de encontrar no google, então eu estou facilitando o processo. Para os desavisados, o endereço é esse mesmo pois servidor nenhum no mundo toparia publicar uma bomba desta e também porque rapidamente seria hackeado por agentes dos EUA.

Não acreditem em mim, duvidem.

Quem dera se o Brasil fosse constituído somente por cidadãos que duvidam da notícia.


Feliz 2011 a todos os leitores do blog. 
Prometo em 2011 ser mais assíduo e dedicado às postagens.