quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Facebook ajuda Cataguases?

      Há tempos gostaria de escrever sobre esta ferramenta que virou febre entre os "internetmaníacos". Postar uma foto, desabafar um sentimento ou compartilhar um vídeo nunca foi tão excitante quanto agora. Isso está acontecendo desde as grandes metrópoles onde os pares propõem atividades coletivas, às pequenas cidades com "fato-grafias" do seu cotidiano. 

     Mas esta ferramenta aparentemente inofensiva, causa grandes impactos quando é usada pela população para exercitar sua cidadania quando propõe melhorias para sua cidade, seu país. É um espaço de debate público e organização popular que há tempos não se via. 

   Durante décadas, soldados vigiaram o prédio da União de Rádio e Televisão egípcia no Cairo, aparentemente para proteger a formidável rede do país de uma tentativa de revolução. Mas a renúncia de Hosni Mubarak mostrou que o poder dos sites de mídia social e a tecnologia de telefonia móvel provaram ser uma ameaça muito maior para o ex-presidente egípcio. Com os protestos se propagando da Tunísia e do Egito para Bahrein, Iêmen, Argélia e Líbia, a ideia contagiosa de uma "Revolução Twitter" ou "Revolução Facebook " está sendo debatida. Qual a importância da mídia social nesses levantes? 

     Com amplos segmentos das populações árabes desempregados, marginalizados e se sentindo impotentes para mudar o seu futuro sob regimes autoritários, todos os elementos para a revolta estavam lá. Os meios de comunicação social ajudaram a tornar as queixas mais urgentes e difíceis de ignorar. 

     Em Cataguases tenho acompanhado as reivindicações de algumas pessoas em relação à ações da política municipal: uns apoiando, outros reivindicando. Confesso que deste embate, saudável (salvo algumas exceções), fico muito satisfeito em ver que as pessoas estão debanto assuntos essenciais para que Cataguases possa progredir e ser novamente uma cidade moderna. 

     Certa vez, fiz coro a uma crítica dura ao investimento da Prefeitura em revistas caras e a falta de atualização de seu site. Hoje, o site da PMC é bem mais organizado e atual. Entristece-me porém, que a Câmara de Cataguases ainda não tenha notado que o seu site fora do ar, vai na contra-mão da história. A transmissão das sessões da Câmara não tem nem hora pra começar. Ponto negativo para uma casa que está com a imagem fragilizada perante a população da cidade.

     Mas o Facebook e o YouTube são apenas ferramentas, e elas por si só não trazem as mudanças que o mundo tem testemunhado. Profundas mazelas sociais – a repressão das frustrações políticas e econômicas – estão no centro dos protestos. O êxito de revoluções pacíficas no mundo árabe está começando a mudar a percepção da região da determinação de seus cidadãos de buscar a democracia em seus próprios termos. 

    Um exemplo cabal do poder das redes sociais aconteceu por estes dias. Por reivindicação de um internauta, via facebook, foi questionada a possibilidade de aceitação do passe estudantil nos finais de semana. Quais as dimensões da formação integral da Juventude? O jovem é só escola? Ele não tem direito de ter acesso à cultura nos finais de semana? Visitar amigos? 

     Após uma discussão entre militantes e os maiores interessados (estudantes), o vereador Vanderlei Pequeno (PT) apresentou ao legislativo de Cataguases o projeto de lei com o tema. O assunto deverá ser debatido em breve e se aprovado, causará grande impacto em Cataguases. 

      O Facebook é um instrumento de empoderamento da democracia, mas por si só, é um mero site de relacionamentos. O conteúdo, humano, é que pode fazer a diferença.


*Elias Júnior é acadêmico de Administração Pública - UFJF,
Professor e presidente de Associação de Bairros