domingo, 20 de novembro de 2011

Os Flamengos em minha vida: Memórias de um Catagu-ausente.

“15 de Dezembro de 1962... Show de Mané Garrincha”

Por José Alberto Rocha
Nova Friburgo

Escudo do "Flamenguinho"
de Cataguases - MG

            Estávamos no dia 15 de dezembro de 1962, eu o garoto “Betto” tinha 13 anos de idade.Meu irmão “Inaú” com 14 anos trabalhava no bar do Sr. Ênio.
            A minha tarde era toda dedicada as emocionantes peladas no “Clube de Remo” da pequena Cidade de Cataguases, (MG) chamada de "Princesa da zona da Mata". Eu, o craque das peladas, tinha o apelido de “Napoleão” em homenagem ao jogador destaque do “Flamenguinho”.
            Como toda criança nesta idade, procurava imitar o meu ídolo (Napoleão), só que, às vezes pagava o maior mico, posto que o ponto forte do destaque do “Flamenguinho” era o seu fortíssimo chute. Lembro que em uma dessas peladas, mandaram eu bater um pênalti. A bola de futebol de salão, pesava quase meio quilo (500gramas). Para não fazer feio, tomei uma enorme distância e chutei de bico. Por pouco não quebrei a unha do dedão e de nada adiantou, pois a bola não chegou nem no gol. Foi muito triste: o chute saiu tão fraco que o goleiro veio de encontro a ela. Apesar disso tudo, o apelido continuou por muito tempo, devido a minha presença na área, onde para mim não havia bola perdida e era sempre o destaque, deixando sempre a marca de artilheiro em todas as partidas.
        Voltando ao dia 15 de dezembro de 1962, meu pai, pela manhã, já tinha me dado as coordenadas:
- Betto meu filho, após o futebol, você vai encontrar com seu irmão “Inaú” no bar do Sr.Ênio, visto que ele não pode vir sozinho às 10 horas da noite.
      O sábado estava lindo e naquele dia, não se falava em outra coisa, a não ser a decisão do Campeonato Carioca. O Flamengo jogava pelo empate, só que o Botafogo além de ter um excelente time, contava com o endiabrado “Mané Garrincha” que acabara de dar o Bi-Campeonato Mundial à Seleção Brasileira. Era cerca de 19 horas, quando cheguei no bar, para encontrar com meu irmão. Ao chegar, encontrei-o, chorando demasiadamente. Perguntei-lhe: 
- Mano...O Sr. Ênio te deu bronca? 
       Aos soluços, ele respondeu:
- Não mano. Um tal de Mané Garrincha, acabou com o meu Flamengo! 
      O Botafogo havia ganhado de 3 x 0, com dois gols de Garrincha. Abracei-o e jurei que a partir daquele dia, seria ainda mais flamenguista. Não deu outra: me tornei um flamenguista enjoado e ele por ironia do destino, anos depois, passou a torcer pelo Vasco, nosso  maior rival.
    Hoje aos 61 anos, agradeço à “Deus”pelos anos vividos e poder guardar com muita saudades, historias engraçadas como estas.