sábado, 14 de abril de 2012

Nota do Hospital de Cataguases sobre a operação da vigilância sanitária

Manifestantes protestam hoje, no calçadão, contra o que consideram 
"calúnias" veiculadas na imprensa local e nacional.


Com os recentes acontecimentos que deram ao Hospital de Cataguases uma negativa  notoriedade em todo o país, cabe à direção dessa quase secular entidade filantrópica vir a  público com suas justificativas e em condições de rebater os excessos que estão,  injustamente, sendo cometidos contra ela. NÃO HOUVE COMIDA ESTRAGADA. NÃO  HOUVE CARNE PODRE. NÃO HOUVE LEITE AZEDO. Se estragou, se apodreceu, se  azedou, foi depois que foi retirado do interior do hospital e acondicionado nas traseiras de viaturas policiais.

Nós do Conselho Fiscal, do  Conselho Superior, da Administração,  Corpo Clínico e Funcionários do Hospital de  Cataguases lamentamos com  tristeza tudo o que vem ocorrendo  nestes últimos dias em face das  inúmeras notícias atravessadas  que têm sido veiculadas em nível  nacional sobre um fato ocorrido no  âmbito interno de nossa  instituição. Notícias sem a devida  apuração são veiculadas servindo  mais para macular e tumultuar do  que para apresentar soluções para  questões de extrema relevância  que afligem não só nós do HC  como toda a comunidade que  necessita ou pode a qualquer  momento vir a necessitar dos  serviços de saúde ali prestados.

De acordo com relatórios da  Gerência Regional de Saúde-GRS  e da Vigilância Sanitária, realizados  anualmente o hospital já  havia sido notificado sobre as  necessidades de atendimento de  exigências no que tange a questão de origem e procedência dos  produtos utilizados na feitura dos  alimentos servidos aos pacientes.  Esse relatório data do último dia  12 de março quando o HC foi  notificado. Não só as questões que  são objeto de tamanho estardalhaço pela imprensa nacional  (leia-se TV Globo) como outras  foram tratadas e acordadas para que se chegasse a bom êxito.

OUTROS PROCEDIMENTOS

Todos os procedimentos  estavam e estão sendo feitos.  Questões mais fáceis de serem  resolvidas não deram gancho  jornalístico para matérias mais  sensacionalistas. O que ocupou os espaços da mídia televisiva (leia-se TV Globo) foram os alimentos  que provocam na população reações mais intempestivas.

Afirmar que o hospital servia  comida podre aos pacientes é  de tamanha leviandade que nem nos compete apresentar defesa.  Um absurdo. Total absurdo.  Irresponsabilidade plena de quem  alardeou tal mentira. Irresponsabilidade  de quem delegou  poderes a jornalistas inexperientes  que não hesitou em jogar por terra  um trabalho filantrópico de quase  um século.

AÇÃO DE APREENSÃO

Os males provocados pelas  ações da fiscalização da Vigilância Sanitária de Minas Gerais não  podem ser avaliados por qualquer  retratação em programas  jornalísticos. Todo o Brasil assistiu  a denúncia.De norte a sul do país vieram  indagações sobre o que estava  ocorrendo em Cataguases. Há menos de um mês já  tínhamos sofrido com o fechamento  de outro hospital. E não  foram ou estão sendo poucas as  manifestações de perplexidade  quanto ao que vem ocorrendo em  Cataguases. O HC está sendo  apresentado como um estabelecimento  de atendimento à  saúde que não respeita o usuário,  os pacientes e seus familiares e a  comunidade em geral. O desrespeito  pelo HC está diametralmente  oposto ao que ele  sempre foi para a comunidade.

O que poucos sabem é das  agruras que ao longo de sua existência ele vem passando. O  que poucos sabem é dos esforços  empreendidos por abnegados  conselheiros que não medem  sacrifícios para a busca de  soluções dos agudos problemas  financeiros pelos quais essa  instituição passa. As acusações que ora  atingem o HC são de gigantesca inconsequência. Querem o quê?  Fechar o HC? Querem o quê? Ver  presas pessoas que oferecem seus  serviços sem qualquer remuneração?  Curioso: nem bem os  envolvidos no flagrante tinham  chegado à delegacia, por volta das  12 horas do dia 10 de abril último, o repórter da TV Globo já estava lá. (????)

A RAZÃO DO PROBLEMA

Desde 1935, quando o  benemérito Norberto Custódio Ferreira legou ao HC uma propriedade rural com o objetivo  principal de produzir alimentos  para abastecer a cozinha e, caso  houvesse excedentes, gerar  receitas para a entidade, desde essa  data que os pacientes se alimentam  de hortaliças, frutas, peixes e carnes, vindas da Fazenda da  Fumaça.

Esse procedimento contribui  substancialmente para  minimizar as agruras da  instituição hospitalar. Sem tais  recursos com certeza o HC não  teria rompido o tempo e chegado  aos seus 96 anos de existência,  sendo o principal hospital não só  de Cataguases como de diversas  outras cidades da região. E até mesmo atendendo a cidades de outros estados do Brasil.

Buscar soluções para esses  custos foi uma das principais  metas da gerência do HC. e a Fazenda da Fumaça, depois de  passar por diversas querelas  jurídicas, quando teve de aguardar decisões da justiça ante as questões do Movimento dos Sem-terra - MST, e só então poder voltar  a usufruir dos benefícios que a  terra dá, agora se transforma numa outra questão para a administração do hospital.
Para atendimento das normas legais que se exigem para  se consumir os produtos produzidos na Fazenda da Fumaça pelo HC será necessário investir alguns milhares de reais. Quantia que certamente essa instituição não possui. O que era plantado ali era trazido para a cozinha do HC. Os animais – bovinos, suínos, galináceos e peixes – eram cuidados dentro de rígidos controles. Todos os produtos apresentavam características organolépticas nutricionais preservadas. Não houve, conforme garante Maria Aparecida Alvim, nutricionista do HC há 23 anos, nenhum caso de comprometimento da saúde de paciente ou qualquer outro comensal. Com as recomendações da fiscalização todas as medidas estavam sendo tomadas. Só que cada uma a seu tempo.

Para o abate de animais a direção do HC está tomando as devidas providências. Quanto ao arroz tido como sujo não houve nenhum laudo que certificasse isso detalhadamente. Por escrito. Também para se resolver a questão do leite que tem que ser pasteurizado algumas medidas estavam sendo tomadas.

IMPORTÂNCIA DO HC

Vale ressaltar que 70 por cento dos atendimentos realizados pelo HC destinam-se a pacientes do Sistema Único de Saúde-SUS, sendo público e notório que em contrapartida o SUS paga ao HC apenas 60 por cento dos custos decorrentes desses atendimentos.

PROVEDORIA

Para quem se dedica por tempo integral a uma causa sem nenhuma remuneração e se ver responsabilizado e tratado como um infrator sem maiores considerações dos órgãos públicos que também deveriam estar envolvidos no problema chega a ser entristecedor. José Eduardo Machado, 65 anos, líder sindical dos empregados do comércio, militante sindicalista e defensor das causas dos trabalhadores, agora é detido e levado para a Delegacia de Polícia com um tratamento sem nenhum cuidado com sua imagem pública. A busca de soluções deveria ter sido empreendida, senão com mais elegância, pelo menos com mais cautela. Ações dessa natureza não podem e nem devem ser tratadas como casos de bandidagem. Não. José Eduardo Machado é um Provedor em seu segundo mandato. Alguém que se não chega a ser uma unanimidade se aproxima disso no trato da administração do Hospital de Cataguases. Se não é o melhor está 
entre os que mais resultados deram para a sobrevivência dessa entidade filantrópica.

Fonte: www.primeirojornal.jor.br