terça-feira, 22 de maio de 2012

Culinária Katauá: a política como ela é!


Culinária Katauá: a política como ela é!
Esse texto é uma adaptação da culinária político-popular brasileira.

Elias Júnior é Professor


Meu amigo Carteirinho criou o viveiro Katauá, uma fábula muito moderna para a política explicar. Eu fiquei admirado: criativo esse pombo correio! Se ele pôde se atrever eu também vou entrar no meio.  Como não entendo de bicho, vou falar de culinária, com esse texto da nossa angústia diária.

Quando comecei, pensava que escrever sobre política e comida seria sopa no mel, mamão com açúcar, só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, quando você tem uma opinião e alguém não engole, só nos resta esse abacaxi pra descascar. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas, tem que colocar a mão na massa e ver se tem café no bule pra mostrar.  Já que não é pelo estômago que se conquista o eleitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, desatando até a noz-moscada e cozinhando em banho-maria, demonstrando sempre alegria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo. Ôpa, galinha é no viveiro, esqueci.

Nesta receita eleitoral é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto e desandar, encher lingüiça nos discursos. Além disso, deve-se ter consciência de que pra ser político é necessário comer o pão que o diabo amassou, para vender o seu peixe e agradar o eleitor pra que não se queixe. Não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos, mas há quem pense que ganhar votos é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote e no final só se vê mais lambança. Como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são candidatos de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, se aproveitam de quem está no poder e nunca repartem seu pão. Querem sempre tirar uma lasquinha, pra garantir o leitinho das criançinhas mas acabam pirando na batatinha, viajando na maionese. Tem candidato que acha que a beleza põe mesa, pisa no tomate, enfia o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o eleitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, porque senão vira tudo farinha do mesmo saco, com o mesmo nome. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer uma receita que dê respaldo e no final possa se comer com os olhos. Por outro lado se você tiver o olho maior que a barriga, a sua vida complica, o negócio desanda e vira um verdadeiro angú de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado, você vai descobrir que estava errado e ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha.

A carne é fraca, eu sei. Tem candidato que merece ir plantar batatas, mas se quem não arrisca não petisca, o peixe inocente cai na rede, aí é o mau político quem belisca. Quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho, na criança político faz carinho e chama urubu de meu louro! Eita, esses são do viveiro, de novo!

Caro eleitor, escolha bem seu candidato, senão é você quem vai pagar o pato. Não há antiácido que dê jeito, se não participar deste pleito, uma mentira vão te empurrar de goela abaixo. O pepino será só seu, verá que mais uma vez você perdeu, a chance de mudar este cardápio. Depois que acabar esta gincana só vai te restar uma banana, e mais quatro anos pra se lamentar. Tem gente que só puxa a brasa pra sua sardinha, e no frigir dos ovos acha que comida boa é só na sua cozinha.

Não se esqueça: pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas se escolher bem é só saborear, porque o que não mata engorda.