terça-feira, 21 de agosto de 2012

Emergências e riscos na Zona da Mata: planejar, enquanto é tempo.


 
Encontro em Leopoldina discute desafios para o período de enchentes.

Encontro reuniu representantes de várias cidades
As fortes chuvas que castigaram a região da Zona da Mata Mineira no início deste ano causaram danos materiais e até mesmo mortes. O aumento do volume destas chuvas, no entanto, não foi o único motivo que provocou a calamidade pública. Essa foi a conclusão de integrantes da defesa civil e representantes de movimentos sociais, presentes ao seminário de Gestão de Riscos promovido pela Cáritas da Diocese de Leopoldina-MG. A mineração, barragens hidrelétricas, degradação das matas ciliares, assoreamento dos rios, ocupação indevida das áreas urbanas e falta de um planejamento preventivo efetivo foram os agravantes desta catástrofe anunciada. Na maioria das cidades ainda não há mapeamento das áreas de riscos e as equipes da defesa civil não estão se preparando adequadamente para as próximas chuvas.
O encontro foi assessorado por Márcio Adriano, da Cáritas Brasileira – Regional Minas Gerais, que falou da experiência da entidade com a catástrofe no Haiti. Marcada por uma série de governos ditatoriais e golpes de estado, a população haitiana presencia uma guerra civil e muitos problemas socioeconômicos. O Haiti é o país economicamente mais pobre das Américas, seu Índice de Desenvolvimento Humano é de 0,404 (baixo); aproximadamente 60% da população é subnutrida e mais da metade vive abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de 1,25 dólar por dia. Além de todos esses fatores, o país passou por outra tragédia, dessa vez de ordem natural. No dia 12 de janeiro de 2010, um terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter atingiu o país, provocando uma série de feridos, desabrigados e mortes. Diversos edifícios desabaram, inclusive o palácio presidencial da capital Porto Príncipe.
Márcio ressaltou a necessidade de haver um plano de atendimento para quando as catástrofes acontecerem, para que não se “caia do cavalo” nem se fique “arrastando pedra” sem necessidade. Pesquisas científicas apresentam a região da ZM Mineira e do Rio de Janeiro como locais de risco ara os próximos anos. Márcio mostrou um estudo preliminar do IBAMA, onde foi feito um mapeamento do risco de rompimento de barragens e nossa região está classificada como de alto risco. Márcio ainda disse que além de um plano de prevenção e um plano de ação “durante” a emergência, precisamos pensar o “depois” do evento, ou seja, como reconstruir a vida das famílias que vivenciaram a catástrofe. Um exemplo usado para ilustrar essa afirmação foi o caso de Guidoval. Reconstruiu-se uma ponte com milhões de reais, porém ainda existem pelo menos 13 famílias sem teto, depois de 8 meses da tragédia, na zona rural. - Mais do que pensar na ponte, devemos nos preocupar com quem está debaixo dela!” – disse o militante. “É preciso prevenir, montar um plano de atendimento e também ter o compromisso de oferecer mais que um aluguel social. São vidas que estão em jogo e não apenas números para atenderem ao capital”.

Resposta do governo é muito tímida

            A reclamação dos municípios presentes ao encontro foi unânime quanto aos recursos: foram poucos e insuficientes. Para os participantes houve muita propaganda política e pouca efetividade das autoridades para ajudar a zona da mata. Prova disso é o sub-dimensionamento ainda existente na defesa civil em cada município, sendo que em alguns, nem mesmo existem profissionais capacitados.
Atuação da Cáritas

A Cáritas é uma instituição humanitária Católica que atua no Brasil, desde 1956. No caso de Guidoval e Além Paraíba (cidades mais afetadas) a Cáritas ajudou com a doação de filtros de água, roupas de cama, materiais de limpeza, comida, água e utensílios de cozinha. No momento, a Cáritas está acompanhando a reconstrução da vida das pessoas atingidas e promovendo a articulação com os moradores desta região, buscando resolver a questão dos desabrigados que ainda se encontram em casa de parentes e amigos. Na comunidade Guido, em Guidoval, são pelo menos treze famílias nesta situação.
Definições do seminário

Após os debates e ponderações ficou decidido que os delegados irão disseminar a informação construída multiplicando-a através de outros seminários, tentando envolver os atores sociais na busca de um plano mínimo de atendimento para as cidades da zona da mata mineira. Deverão ocorrer pelo menos três encontros em cidades estrategicamente localizadas para disseminar a proposta de criação de uma teia de informação sobre o assunto. Em Cataguases, o encontro acontecerá no dia 20 de outubro e será realizado em parceria com a cidade de Leopoldina. No dia 27 de outubro é a vez de Além Paraíba que sediará o encontro convidando as cidades vizinhas, inclusive Sapucaia e Carmo, no Estado do Rio de Janeiro. Já Muriaé abrigará o debate no dia 10 de novembro, com a presença de Miradouro, Eugenópolis, Patrocínio do Muriaé e demais cidades vizinhas.
*Elias Júnior, é professor.