sábado, 8 de fevereiro de 2014

Um ano de governo Cesinha: O que mudou?


Por Elias Júnior, Professor

Chegamos ao último mês do primeiro ano de governo do Cesinha. Ele, aposentado da antiga TELEMIG, entrou para a história ao ser eleito o primeiro prefeito de esquerda em Cataguases. Para conseguir esta façanha depois do fracasso em duas eleições, construiu uma chapa de coalizão de centro-esquerda, unindo forças políticas na coligação “Cataguases do seu jeito”. De uma só vez, conseguiu apoio de possíveis candidatos a Prefeito que poderiam diminuir suas chances, contra o forte candidato da direita, o até então prefeito William Lobo, da coligação “Juntos por Cataguases”. Apesar da disputa ter sido acirrada, Cesinha venceu com a ajuda de políticos carimbados na cidade: Tarcísio Henriques, Ricardo Dias, Sérgio Gouvêa, Fernando Pacheco e tantos outros. Mas o que parecia ser uma promissora receita de sucesso desandou e corre o risco de se tornar um cataclismo político sem precedentes. Mas ainda dá tempo de colocar os pés no chão e arrumar a casa de marimbondos em que se enfiou.
Todo gestor público deve pautar-se pelos princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. O caso dos aposentados reintegrados ao cargo, a polêmica recomendação da sonorização dos bares, a feira do Brás e a quebra do contrato da COPASA são nós que desgastam a imagem do chefe do poder executivo municipal. Não bastassem estes, existem nós que seriam facilmente resolvíveis mas que mancham a imagem da atual gestão. 
Um exemplo? No que se refere à publicidade, observa-se a fragilidade do site da Prefeitura que ficou fora do ar e a ausência da secretaria de Assistência Social nas abas de navegação, até alguns dias atrás. Será apenas uma coincidência? No jornal Cataguases que vem realizando uma editoração pífia, temos um claro exemplo de imagem institucional arranhada e opaca que não agrega valor algum para a cidade.
O mais grave se apresenta na questão da governabilidade. Temos um cenário de “cada um no seu quadrado”, que colabora substancialmente para o distanciamento do Cesinha de Campanha, para o atual prefeito que vem perdendo rapidamente a aprovação de quem o elegeu. Comenta-se na boca maldita que existem diversas subprefeituras dentro do organograma oculto da administração atual. A secretaria de Esportes continua sendo questionada pelas polêmicas atitudes de Ricardo Dias (PMDB), que vão desde a demissão do técnico Jálber do Basquetebol, passando pelas desavenças com vereadores da própria base aliada de Cesinha. O vice-prefeito Sérgio Gouvêa não desfruta de situação mais confortável, pois está na lista dos “barrados no baile”. A secretaria de Cultura arrancada do PT foi dada a Zeca Junqueira que é um nome questionável por muitos na cidade. O PT por sinal se limita a ocupar o cargo de Secretário de Assistência Social, com o ex-vereador Pequeno e alguns poucos “companheiros” da campanha.
O apoio a Cesinha deixou de ser unanimidade pois não há discussão política. É apenas um vínculo empregatício com a base que o elegeu.
Na Educação, a atual secretária Luciana surgiu depois de uma tumultuada escolha no listão de mais de dez nomes. Muitas Professoras que foram preteridas transformaram-se em opositoras do atual governo, dizendo que foi uma escolha de cartas marcadas. Será? Além da rejeição da secretária, falta pagar o piso dos Professores, uma promessa de campanha ainda não cumprida.
Na saúde, nada além... “Nada além de promessas”, como diria a canção. Mesmo com o novo secretário, o atendimento continua moroso, confuso e ineficiente. Da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não se tem notícia e o terreno que seria destinado para esta obra está emprestado para a COPASA, que ainda continua abocanhando o bolso do Cataguasense, com seu contrato leonino.
Soma-se ainda a CPI do Carnaval, o atraso dos salários dos funcionários, a falta de uma solução alternativa para a interdição do cinema, a festa da cidade (teve?), o atraso das obras do “Minha casa, minha vida”, o trânsito caótico, o concurso da Prefeitura que não saiu do papel, a licitação dos ônibus que foi pro espaço...
E para fechar com chave de ouro, uma pergunta que não quer calar: a Prefeitura quer ouvir você? O orçamento Participativo foi reduzido a uma gestão participativa, mas a proposta de Cesinha não convenceu ninguém. Fixar uma barraca na Chácara Dona Catarina, fazer camisetas coloridas e pendurar banners com gráficos de pizza “pegou mal” para a atual administração. Fora de hora, sem metodologia adequada e credibilidade, a gestão participativa poderá se transformar em indigestão não participativa, pois soou como peça de propaganda eleitoreira. Aliás, a eleição já acabou. (Espantem-se alguns do atual governo).
Mas ainda tem jeito? Sim. É necessário parar de chorar as mágoas da gestão passada e começar a viver o planejamento de governo da atual administração. Buscar o “cascaio” em Brasília, retomar as obras inacabadas na EMPA, pensar um orçamento participativo de verdade envolvendo as lideranças comunitárias nos bairros, inovar na secretaria de Indústria e Comércio, empoderar a coordenadoria de Turismo, dispor recursos para a secretaria de Esportes e principalmente criar uma equipe de discussão política do mandato para que deixe de ser uma colcha de retalhos. A gestão participativa começa dentro do próprio governo, com uma equipe coesa, unida e que caminha para o mesmo lado. E isso se faz conversando, planejando.
O mandato não é somente do Cesinha, mas, sobretudo de Cataguases e da base que o elegeu. Não queira o Prefeito governar sozinho, ou “só euzinho”, ou ouvindo apenas duas pessoas em seu gabinete, senão, o desastre é inevitável.

Com o orçamento de 2014 em mãos, sonhamos com a realização das promessas de campanha para que possamos ter verdadeiramente um feliz natal.