domingo, 7 de junho de 2015

MEC aumenta a taxa do ENEM: a culpa é da Dilma?


Por Elias Júnior
     As inscrições para o ENEM terminaram no último sábado, dia 05/06/2015. Tem muita gente reclamando que o MEC exagerou ao aumentar a taxa de inscrição de R$ 35,00 para R$ 63,00. Esse aumento não ocorre desde 2004 e segundo a assessoria de imprensa do MEC o objetivo é coibir as ausências, uma vez que o gasto com alunos faltosos é muito grande.

     Eu sou um dos colaboradores do INEP em Cataguases e posso testemunhar que o discurso procede. A falta sem justificativa é enorme. A geração lek lek não consegue entender que só pintar a cara e reclamar do petrolão não vai salvar o Brasil da corrupção. Eles ainda não se deram conta de que fazer inscrição do ENEM e não comparecer é desperdiçar recursos físicos e financeiros à custa dos impostos que seus pais costumam sonegar.

     Ainda de acordo com o MEC, alunos do terceiro ano do Ensino Médio das escolas públicas estão isentos, mas quem fizer a inscrição e não comparecer à prova em 2015 deverá pagar a inscrição no ano que vem se quiser fazer a avaliação.

     Estava passando da hora! A quantidade de recurso público destinado a aplicadores em salas regulares e em atendimento educacional especializado (ledores, intérprete de libras, aplicadores sabatistas, etc.) é enorme. O candidato simplesmente não comparece e fica por isso mesmo.

     Ao final do formulário de inscrição do ENEM 2015, o candidato tinha a opção de "Declarar carência", informando não ter condições financeiras de pagar os R$ 63 e afirmando ter os documentos necessários para comprovar sua condição. O sistema aprova ou nega automaticamente o pedido de isenção, conforme as informações declaradas no questionário.

     Detalhe: não conheço ninguém que tenha sido convocado pelo MEC a comprovar sua “condição” de insuficiência financeira.

Resumindo:

     Os candidatos abusavam do pedido de carência por não haver fiscalização. Não compareciam ao exame e... “morreu Maria”. Agora com a crise financeira e precisando cortar gastos, o MEC “descobriu” formas de coibir este abuso praticando outro abuso: o de preço. O aumento foi de 80%.

     Da forma como está sendo conduzido o aumento, uma parcela muito grande de estudantes não conseguiu a isenção porque sua concessão estava atrelada ao questionário socioeconômico. Este questionário por sua vez estava mais superficial que nas edições anteriores e através dele não é possível definir com clareza a condição de carente do estudante. Talvez a utilização do Cadastro Único do  SUAS (Sistema único de Assistência Social) fosse o mais adequado. 

     Em minha opinião o MEC acerta ao apertar o cerco à corrupção (modificação, adulteração das características originais de algo) e pune também o jovem que realmente precisa da isenção. Não precisava de espingarda para matar um camundongo!

     E respondendo à questão inicial: a Dilma tem culpa sim. Por nomear pessoas que praticam aumento abusivo de preços. Cabe até uma ação civil pública. Onde estão os dirigentes da UNE nesta hora? Devem estar fazendo carteirinhas de estudante ao som do funk ostentação. Modernos tempos!