domingo, 30 de agosto de 2015

Série Secretários: Vanderlei Teixeira Cardoso (Pequeno)


Escrito por Luciano de Andrade

Professor e militante político
Este da foto abaixo é o Vanderlei Pequeno Teixeira Cardoso, secretário de assistência social de Cataguases. 


Se o acordo de campanha entre o PT de Cataguases e o Cesinha - que fala sozinho pelo PCdoB -, fosse cumprido, o Pequeno seria o secretário de cultura, e outro membro indicado pelo partido estaria na assistência social, certamente fazendo o mesmo bom trabalho; e na secretaria de cultura teríamos uma pessoa honrada e habituada ao diálogo com artistas e produtores locais, e certamente uma equipe competente pra promover a arte e a cultura.

Perdemos todos, perderá o Cesinha caso queira se reeleger, pelo menos os votos de quem confiava nele e se decepcionou com a trairagem e de quem esperava um nome decente pra assumir a secretaria de cultura. 

Sobre o Vanderlei Pequeno, convém lembrar de passagem sua atuação antes de entrar para o aparelho de estado como vereador, há 7 anos. Sindicalista ativo, músico e produtor musical amador, e ainda escritor - ou pelo menos autor de vários livros de crônicas de memórias e registros bem-humorados de casos cataguasenses - é figura pública na vida social da cidade há muitos anos.

Como vereador, teve a infelicidade de atuar numa câmara só de dez vereadores, o que facilitou para o ex-prefeito, que usou os outros nove para prejudicar a cidade, como no caso do contrato da Copasa, nas vendas lamentáveis de patrimônio público e em tudo que a câmara de vereadores anterior fez; a ponto de só o presidente e seus poderes de uso da máquina conseguir se reeleger, com todos os outros tendo sido tirados no voto, inclusive o único que ficou o mandato inteiro sofrendo e até conseguindo algumas vitórias contra os outros nove e o prefeito, como a aprovação da lei Ascânio Lopes, que agora é negligenciada pela equipe que cuida da cultura na cidade; aliás, que deveria cuidar.

Como secretário de assistência social tratou de ampliar os benefícios que a cidade recebe do governo federal, sem os quais nossa economia frágil sofreria ainda mais, e tratou de estabelecer um ambiente de cordialidade nos ambientes de trabalho, em despeito às pressões por apoio manifesto ao prefeito da gestão anterior; com o Pequeno, quem sabe como é ruim a administração do Cesinha não é obrigado a se calar nem a defender o prefeito.

Pequeno: Secretário de Assistência Social.
A equipe da assistência social é numerosa, e evidentemente há problemas de relacionamentos, e há ainda gente que não gosta de cumprir suas obrigações, e até gente que não respeita os colegas, o que pode gerar momentaneamente a sensação de que o secretário é bonzinho demais e acaba sendo conivente ao não demitir, por exemplo. Talvez aí entre a influência das lutas sindicais em que a preservação do emprego é quase pétrea.

Convém lembrar que, no caso do Vanderlei Pequeno, a retrospectiva política é muito menos importante do que as perspectivas, já que se trata de nome de muito prestígio, crescente, e liderança do maior e mais organizado partido da cidade, que terá poder decisivo na formação das candidaturas para o ano que vem. 

Espera-se dele e do partido alguma postura que permita à cidade ter pelo menos a esperança de que algo novo possa acontecer pra mudar os rumos da política local, há muito tempo decepcionante. Se ele e o partido seguirem calados sob as mazelas do Cesinha, a cidade corre o risco de não ter nem esperança na política, e de piorar ainda mais em todos os aspectos.