domingo, 19 de fevereiro de 2017

Educação MG: Alunos sem professores. Professores sem emprego. Até quando?

Os prejuízos sociais e políticos da catastrófica “designação online”

A ideia era perfeita: contratar servidores para a Educação em MG através de um clique, evitando ruídos subjetivos na admissão e amplificando a transparência pública do processo. As tecnologias da informação e comunicação quando bem utilizadas são excelentes ferramentas administrativas e educacionais. Entretanto, além do Software e do Hardware o componente mais importante neste contexto é o "Humanware". Isso mesmo: o componente humano é quem cria e gerencia os demais.

A SEE-MG iniciou o ano letivo de 2017 "ousando" instituir um sistema de designação (contratação) totalmente digital. Para quem está desempregado, evitar deslocamentos pela cidade é sinônimo de economia de dinheiro, tempo e desgaste emocional. Um sistema de gestão de pessoal em larga escala exige entretanto algumas premissas como transparência e garantia de isonomia do processo. A eficiência, eficácia e efetividade devem ser buscadas a todo momento pois o componente humano que institui uma política pública é passível de cometer erros.

Na história da humanidade, grandes líderes reconheceram a gravidade de uma tomada de decisão equivocada e sabiamente mudaram a rota do navio. Não parece ser o caso dos gestores da designação online em Minas Gerais.

O primeiro sinal de instabilidade do sistema surgiu quando estranhamente a SEE-MG determinou a contratação somente de algumas categorias através da nova modalidade, apesar de todas as categorias se inscreverem nele. Para os professores regentes de aula e posteriormente para os Assistentes da Educação Básica (Serviços Gerais) a designação aconteceu de forma presencial.

Diversas reclamações sobre a ferramenta online surgiram, desde as mais inusitadas até as mais simples. Um exemplo: este ordinário blogueiro, que não se inscreveu no sistema recebeu um e-mail informando que havia alterado sua senha na plataforma de inscrição. O nome da candidata era Ediléa e com certeza o e-mail foi enviado para a pessoa errada. Candidatos com nome de ruas podem ser erros no momento de preenchimento da inscrição do próprio candidato, mas selecionar professores piores classificados (experiência, formação e idade) e excluir os demais, foram erros recorrentes.

Dia 14 de fevereiro, após a confusão provocada pelo sistema, as designações deveriam começar a ser presenciais, entretanto o sistema SYSADP que faz a gerência das contratações continua negando o pedido dos Diretores de escola. Os alunos estão sem aula ou apenas recebendo aulas de uma operação tapa buracos com professores eventuais, de biblioteca, supervisoras, vice-diretores e até mesmo diretores. Não há resposta para o caos instalado em escolas de anos iniciais em Minas Gerais, nem previsão de correção.

O ano letivo começou no dia 1º de fevereiro, entretanto, em muitas escolas de Minas Gerais o quadro de pessoal continua incompleto gerando instabilidade no planejamento de uma educação de qualidade. 

Em se tratando de anos iniciais, "o pacote de maldades" desta confusão provocada pela Secretária Macaé Evaristo e o governador Fernando Pimentel é absurdo, pois crianças de 6 a 10 anos de idade possuem maiores laços de afetividade com seus Professores. Cada dia entrar uma pessoa na sala de aula provoca dificuldade de adaptação do aluno e o atraso deste processo é inevitável. Com menos dias letivos "úteis" os alunos serão os maiores prejudicados, além dos professores que estão desempregados e sem informações oficiais da SEE-MG.

A metodologia de "rodas de conversa" apregoada pela atual gestão não é realidade na gerência de pessoal da secretaria. O povo de Minas Gerais merece uma explicação e no mínimo um pedido de desculpas da Exma. Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Srª Macaé Evaristo.

Contratar Professores às vésperas de um feriadão de carnaval, para retornarem às aulas em março é um exemplo de má gerência na administração pública. Lastimável.